segunda-feira, 14 de março de 2011

I wanna run and hide

Faca, pistola, arma em punho. Feridas, machucados, cicatrizes. Para machucar, para ferir, para despedaçar.  Para furar, para, na verdade, perfurá-la. Atravessar a alma, o sangue e tudo que contivesse um pouquinho da confusão e da insegurança arrogante daquela mulher, daquela menina, que só queria aprender a viver sem se esforçar para não estar acabada a cada esquina.
            E acabou assim, sem mais nem menos, mas com muita dor envolvida. Nada parece ter mudado, o ar continua pesado, as mudanças continuam lentas feito o trem das onze do interior, e o medo. O medo. Aquele medo cortante, ameaçador e oscilante, aquele que a perseguia sem piedade e a deixava estirada no chão, ensanguentada e trêmula, com medo do medo.
            Ela conseguiu voltar para o esconderijo. Se apegou ao travesseiro e pediu incessantemente. Pediu para que alguma energia maior pudesse ajudá-la, pediu que aquele sentimento tão ruim que via nos olhos dos outros não a atingisse. Mas, sem sombra de dúvida, ela tirou todas as suas forças para pedir que o medo, se não pudesse ir embora de vez, pelo menos se tornasse seu aliado.

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