sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Birthday Present

9 de abril de 1990. 21 anos. Kristen Jaymes Stewart. Queria poder abraçá-la pessoalmente e tentar explicar, com um acúmulo absurdo de lágrimas nos olhos, o quanto significa para mim. Já que não posso dar um singelo “happy birthday” pessoalmente, farei o que posso: escreverei. Sem clichês, com verdade.
Amar de longe. Acho que é isso a relação de um fã com seu ídolo. Amar de uma forma diferente do senso comum, amar pelas palavras, pelos sorrisos, pela parte que só quem ama consegue entender por trás de uma expressão. Nunca imaginei que nutriria um sentimento tão abrangente e forte pela Kristen, mas ela foi tomando, aos poucos, a minha atenção e a minha vida e, hoje, quando me sinto fraca e incapaz, é nela que penso. Ela que não faz questão de seguir padrões, que não faz rodeios ao dizer que realmente não se importa para o que dizem, ela que sofreu discriminação na infância, que foi desacreditada, e que está aí, se mostrando para o mundo, tentando mostrar um pouquinho de seu ponto de vista através da mente de personagens.
Qualquer coisa a mais que eu diga seria repetitivo. Simplesmente porque é indescritível. Chega a ser absurdo o poder que a admiração pode ter. E se tem uma coisa que ela vêm me ensinando é que, sim, podemos fazer a diferença e influir na vida de milhares de pessoas. Hoje, no dia 9 de abril, algumas palavras podem fazer a diferença: eu te amo e, obrigada. Isso e o ar pode se tornar mais leve, porque em algum lugar, lá no fundo, eu sei que a mensagem chegou até ela.

segunda-feira, 14 de março de 2011

I wanna run and hide

Faca, pistola, arma em punho. Feridas, machucados, cicatrizes. Para machucar, para ferir, para despedaçar.  Para furar, para, na verdade, perfurá-la. Atravessar a alma, o sangue e tudo que contivesse um pouquinho da confusão e da insegurança arrogante daquela mulher, daquela menina, que só queria aprender a viver sem se esforçar para não estar acabada a cada esquina.
            E acabou assim, sem mais nem menos, mas com muita dor envolvida. Nada parece ter mudado, o ar continua pesado, as mudanças continuam lentas feito o trem das onze do interior, e o medo. O medo. Aquele medo cortante, ameaçador e oscilante, aquele que a perseguia sem piedade e a deixava estirada no chão, ensanguentada e trêmula, com medo do medo.
            Ela conseguiu voltar para o esconderijo. Se apegou ao travesseiro e pediu incessantemente. Pediu para que alguma energia maior pudesse ajudá-la, pediu que aquele sentimento tão ruim que via nos olhos dos outros não a atingisse. Mas, sem sombra de dúvida, ela tirou todas as suas forças para pedir que o medo, se não pudesse ir embora de vez, pelo menos se tornasse seu aliado.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Estupidez Alucinógena

        
       Deve ser bom ter uma base sólida a que se agarrar. Deve ser bom se compreender. Coisa que eu, até hoje, não consegui. Me conheço bem demais pra prever os momentos de instabilidade insuportáveis, não entendo o que me leva a eles, só sei que faz parte de mim, de quem eu me tornei.
- Marie, o que você acha de picanha para o almoço ?
- Eu odeio picanha, mãe.
- Mas menina, você me disse outro dia que estava com vontade de comer picanha.
- Outro dia não é hoje. Não gosto mais de picanha. Será que você se importa de fazer macarrão ?
         Suscetível. Acho que essa é a palavra. Sofro tanta influência de mim mesma que muitas vezes me encontro sem rumo no escuro do meu quarto. Meus pensamentos exercem tanto poder uns sobre os outros que é difícil de acompanhar. É difícil até organizá-los que dirá defini-los. 

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A painthful redemption


- Eu me senti mal por muito tempo.
- Eu sei.
- Você sabe ? Como assim ?
- Seu sorriso era fraco, você estava fraca. Parecia outra pessoa, parecia que vivia em outro fuso horário, outro tempo, desde que a gente terminou. De um jeito depressivo demais.
         Eu não conseguia entender. Não conseguia assimilar as palavras que aquela boca proferia. Por alguns segundos eu simplesmente não conseguia me mexer, não conseguia esboçar qualquer tipo de reação. De repente uma força cheia de raiva pulsou dentro de mim. Eu mal sentia meus pés se movendo, só enxergava os borrões que passavam por mim, alguns espantados, outros rindo, mas, no momento, eu não conseguia me importar de forma alguma.
         Corri, corri, corri. Não sabia pra onde e não fazia idéia de como ainda não tinha me estabacado no chão de concreto. Mas sabia muito bem o por quê: nunca fui boa em controlar minha raiva, ou melhor, controlar o que falo quando estou com raiva. E naquele momento, naquela terça-feira calorenta que tinha tudo pra ser insignificante, o ódio me cegava como nunca e eu tentava com todas as forças afastar uma vontade quase assassina que se apossou de mim.
         Aquilo não podia estar acontecendo. Esperava que fosse um pesadelo, que eu poderia acordar a qualquer momento, mas não. Se tratando de mim, eu tive até sorte, tive relativa sorte de ter fugido naquele momento, de não ter ficado pra ouvir mais – mais palavras que iriam abrir todas as feridas que custaram a cicatrizar, que iriam me quebrar por inteira.
         E durante todo o tempo que me refugiei na fuga muitas coisas passaram pela minha cabeça, mas uma se destacava dentre todas: ele não se importava. Ele podia dizer o que fosse, poderia me dar um milhão de motivos para fazê-lo se preocupar comigo, mas eu saberei até o fim que é mentira, que ele é tão dissimulado que consegue acreditar até no que sabe que não sente. Depois de um término doloroso, depois de tanto tempo me sentindo despedaçada, depois de tantas lágrimas, depois de tantos textos repletos de rancor e tristeza, depois de ver o desespero instalado nos meus olhos – portas da minha alma – todos os dias; ele tem a coragem de dizer que sabia, que percebia a dor que eu sentia.
         Pode ser irracional, pode ser egoísta. Porém ele, de qualquer forma, não tinha esse direito. Não tinha o direito de dizer assim, com a maior naturalidade, que tinha noção do meu estado, que tinha conhecimento de que me proporcionou tanto sofrimento. Me sentia confusa sobre o por quê de sentir tanta raiva dessa invasão, não sabia se era certo nem errado. Mas tinha uma certeza: acabou comigo.
         Foi quando parei que senti algo vibrando no bolso do meu jeans: meu celular. O peguei e notei várias mensagens preocupadas da minha melhor amiga – a que, por muitas vezes, foi a única a realmente se importar. Digitei um breve “conseguindo me acalmar, estou bem” e enviei. Ela entenderia, entenderia que eu queria ficar sozinha.
         Sozinha. Essa palavra me assustara tanto nesse último mês, eu a sentia pairar sobre mim a cada milésimo de segundo, como um fantasma, não me deixando respirar, atrapalhando meu raciocínio e, sempre que possível, me levando às lágrimas. Só que agora essa assombração tinha desaparecido e ficar sozinha, sem ninguém ao redor, me parecia incrivelmente agradável. Tal sensação me fez me sentir eu de novo, me trouxe de volta a minha antiga personalidade, ainda melancólica e rancorosa, mas com um certo brilho no olhar que eu sentia se instalando novamente em mim.
         Respirei fundo e peguei o primeiro ônibus com destino perto ao meu quarto, perto ao meu mundinho. Eu sabia que lá pela meia-noite eu iria sucumbir, iria chorar os restos do meu ódio, ia pensar nele, ia lembrar de todo meu sofrimento, dos sonos perturbados, da falta de vontade de viver, da tristeza que eu me tornei. Só que dessa vez iria dar um fim a tudo lembrando de como eu costumava ser cinco meses atrás: curiosa, boba, insegura de um jeito confiante demais e arrogante o suficiente pra saber a hora certa de deixar a ilusão de lado.